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Um, Dois e Muitos

24,00 €  
IVA incluído

Um, Dois e Muitos

Marta Wengorovius

Documenta

Junho de 2020

Marta Wengorovius: «Um, Dois e Muitos é uma intuição de que existem três tipos de relações fundamentais: a relação consigo, com o outro, com os outros.»

Nesta exposição reúnem-se obras que Marta Wengorovius realizou desde 2012, numa investigação continuada em redor da questão da atenção, da orientação e do mapeamento. Usando meios muito diferentes, a artista remete para uma frase- conceito que pode servir como chave hermenêutica da sua obra: «Um, Dois e Muitos». Esta expressão permite compreender três regimes distintos de relação entre os elementos constituintes do mundo, o nosso horizonte de possibilidades: o indivíduo, o par e a comunidade, nas suas múltiplas declinações, da célula ao cosmos.

Os mapas, partituras ou instruções de uso que aqui se mostram propõem uma activação do espectador, também declinado enquanto «um, dois e muitos». A sua participação é determinante para a existência da obra — ela existe aí, quando o torna capaz: de sentir, de pensar, de agir. São propostas de exercício, tanto materiais quanto espirituais, para descobrir a capacidade de concentração, o conhecimento da natureza e as potencialidades do corpo: em movimento ou parado, dançando ou desenhando, no território ou no plano da folha. O palco é nosso. Em vez de nos deixar de fora e pretensamente seguros na margem, exige que nos lancemos à água.

Aqui, a redesenhar o horizonte em que nos movemos, a obra está em obra.

[Paulo Pires do Vale]

Um, Dois e Muitos é uma intuição de que existem três tipos de relações fundamentais: a relação consigo, com o outro, com os outros. Como artista interessou-me trabalhar esta intuição. […]

A pouco e pouco, fui-me apercebendo de que Um, Dois e Muitos era uma ferramenta, um método, um caminho que podemos aplicar a qualquer disciplina. Como artista fui observando como se desenha esse movimento e como ele está presente em todos e em tudo, e como, porque cria espaço, nos pode orientar. Este movimento acontece pela acentuação alternada no Um, no Dois ou no Muitos. Esta ferramenta é uma forma de acordar, de trazer ao de cima — como aqueles líquidos que se colocam nas experiências científicas e que ao tomarem diferentes cores nos permitem ver melhor. E ao fazê-lo criam espaço (a ideia da arte é sempre de criar espaço) e dão-nos a hipótese de desenhar melhor o que queremos acentuar.

A série de obras do Um, Dois e Muitos são possibilidades de vivermos esse movimento.

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