Quase-sonhos seguido de Traduzido da Noite
Quase-sonhos seguido de Traduzido da Noite
Jean-Joseph Rabearivelo
tradução: Diogo Paiva
124 páginas
Antítese, 2026
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Há poetas que escrevem a partir de um lugar; Jean-Joseph Rabearivelo parece escrever a partir da distância. Entre Madagáscar e a Europa, entre a língua malgaxe e o francês, entre a tradição e a modernidade, a sua poesia nasce de uma espécie de fronteira permanente – um lugar de passagem onde nenhuma língua, nenhuma cultura, nenhuma identidade se deixa possuir inteiramente.
Nascido em Antananarivo, em 1901, aproximou-se da literatura francesa sem abandonar a memória profunda da sua ilha: os cantos tradicionais, as paisagens, os mitos, os mortos, a oralidade e a musicalidade das línguas de Madagáscar atravessam a sua escrita, mesmo quando esta se exprime em francês. A sua obra é, por isso, simultaneamente íntima e histórica: nela, a experiência individual encontra um país submetido à presença colonial, e o desejo de universalidade convive com uma consciência aguda da perda.
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