PERDER TODO MUNDO
PERDER TODO MUNDO
Luciana Molina
Patuá, 2026
124 páginas
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Perder todo mundo ocupa um lugar singular na poesia brasileira contemporânea. O registro frequentemente coloquial e o tom iterativo e fragmentário podem sugerir ao leitor distraído que não há artifício. Nada mais equivocado: a construção sutil se revela para o olhar atento, que deve se engajar ativamente na produção do sentido do texto. Luciana Molina constrói uma escrita porosa e inventiva, que atravessa o poema lírico, o poema em prosa, o diário fragmentário e o ensaio, desafiando as fronteiras dos gêneros. Sua arquitetura explora a elipse, a multiplicidade de vozes poéticas e as obsessões para se aproximar do fluxo do tempo, da memória e do desejo. A ironia, a metaficção e a autoficção aparecem como elementos desestabilizadores, que problematizam, deslocam e desmontam. A autoria feminina não é aquela celebratória ou da militância fácil, mas sim a condição existencial a partir da qual se inscreve a tensão entre o íntimo e o coletivo. A obra costura uma rara e espontânea poesia enciclopédica entre a cultura popular e a cultura erudita como símbolos afetivos e culturais, elaborando de forma autorreflexiva e irônica a passagem do tempo na vida de um indivíduo e das sociedades. Nesse sentido, não é só o eu lírico que muda, mas tudo que está em seu entorno: a família, as cidades, os tempos, o próprio mundo.
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Luciana Molina nasceu no Rio de Janeiro e viveu entre Vitória, Mariana, Ouro Preto, Belo Horizonte e Campinas — cidades que reaparecem, sob diferentes tons e formas, em sua escrita. Também morou na Inglaterra, no Canadá e nos Estados Unidos. Atualmente vive em Praga, na República Tcheca, onde leciona Português e Cultura Brasileira para estrangeiros na Univerzita Karlova, pelo Programa Leitorados Guimarães Rosa. É doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp e autora de A arte nova e o novo na arte na Filosofia de Theodor W. Adorno (Dialética, 2022). Sua escrita transita entre poesia, fragmento e ensaio, explorando os encontros entre forma, pensamento e linguagem. Perder todo mundo é seu livro de estreia em poesia.
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