a longa tradição de filósofos e escritores caminhantes – de Thoreau a Virginia Woolf, passando por Nietzsche e Rimbaud –, para Robert Walser escrever e caminhar eram tão vitais como o ar que respirava. O PASSEIO (1917) é um elogio da deriva, nos antípodas das pragmáticas deslocações em linha recta entre pontos num mapa. Ao deambular na cidade e no campo, o autor arrasta os leitores para um sinuoso percurso que oscila entre reflexões sobre a paisagem bucólica e as ameaças de tudo o que nela «imprime uma marca de egoísmo, ganância, de um embrutecimento miserável e completamente descarado da alma». É na minuciosa atenção a tudo o que o rodeia – dos gestos dos transeuntes à solenidade de um bosque –, numa subversiva «poética do pequeno», segundo a crítica, que se constrói esta obra-prima da narrativa breve de Walser, admirada por Kafka, W. G. Sebald e Susan Sontag.