Após o aclamado livro AUTOBIOGRAFIA DO VERMELHO (1998), Anne Carson publicou em 2000 uma nova colectânea de poesia e prosa, trabalho que mostra uma cativante combinação de opostos — o clássico e o moderno, o cinema e a palavra impressa, a narrativa e o verso. Em HOMENS NAS HORAS VAGAS, a autora reinventa figuras muito diversas, entre elas Édipo, Emily Dickinson e Audubon. Carson cria justaposições surpreendentes: Lázaro por entre parafernália de vídeo, Virginia Woolf e Tucídides discutindo a guerra, pinturas de Edward Hopper observadas à luz de Santo Agostinho. E, num texto final em prosa poética, medita sobre a então recente morte da sua mãe. De uma espiritualidade discreta e penetrante, um humor destemido e intensa sensualidade, sem descartar a compreensão de que “o cerne da questão para os humanos é a imperfeição”, este livro constitui-se como obra densa, provocadora e inesquecível — mostrando-nos uma poeta singular no seu melhor.