Entre Fantónia e Ágapa
Entre Fantónia e Ágapa
Robert Pinget
tradução: Regina Guimarães
revisão: Sara Veiga
paginação e Design: Pedro Simões
imagem de capa: Gaspar Pereira
Colecção Baldio
Edições da Snob, 2026
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É lugar comum falar-se de escritores e escritas habitadas, quando não mesmo assombradas. Robert Pinget (Genève, 1919 Tours, 1997) vai além da recipiência (ouso este neologismo porque sei que ele o aprovaria). A forma do vaso coincide com o seu conteúdo mas não vai até confundir-se com ele, aliás pode existir autonomamente. Desde o seu segundo primeiro livro, ENTRE FANTOINE ET AGAPA, que esboça uma geografia e um conjunto de residentes, incessantemente configurados e reconfigurados, Robert Pinget revela lugares e personagens incorporados a ponto de poderem atravessar as narrativas revelando pouco de si, principalmente um tom, uma tonalidade, uma toada roubada à partitura do mundo cuja sonância reconhemos sem conseguirmos identificá-la. Generosa fatia do seu universo interior, a ficção de Pinget esforça-se por contornar a armadilha da intimidade. Ela não brinca com a impressão de realidade (como alguns nouveaux romanciers envolvidos numa espécie de despique com o cinema) mas antes com a de ardilosa familaridade. As Éditions de Minuit arrumaram-no no contingente do Nouveau Roman, classificação publicitária que fazia sorrir silenciosamente o escritor.
ENTRE FANTÓNIA E ÁGAPA – sigo a sugestão de Beckett e o conselho do próprio autor na opção de aportuguesar o título – é um um conjunto de micro narrativas que instaura uma leitura nómada entre sujeito, objectos, locais e porventura vazios. Os praticantes da gazeta não se cansam a responder a escolas, sejam elas o surrealismo, o existencialismo, vistosas modernices ou veneradas antiguidades. Neo-pós ou pós neo. Faltar à escola é um desígnio suficientemente afanoso…
Este livro beneficiou de um apoio do PRR no âmbito da medida de apoio à tradução de obras literárias (Aviso N.º 17/C04-i01/2024).
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