Elogio do Fulgor - Livro de Horas XI - (Sintra, 1996-2000) Maria Gabriela Llansol
Assírio & Alvim, 2026
456 páginas
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Para além de um repositório de livros em curso e por vir (obras próprias e traduções), este Livro de Horas é também, mais do que muitos outros, um registo de memórias, em muitos momentos o balanço de toda uma vida desde a hora do nascimento, com destaque para os anos da infância e para o passado próximo da fase de Herbais, a última do exílio belga. Um fio de escrita múltiplo que é agora o de um dia-a-dia vivido e imaginado numa Sintra transfigurada em lugar de ambiências e vivências exteriores e interiores, com um nome próprio que transcende o da toponímia: «Parasceve», lugar de experiências únicas e de promessa, um verdadeiro Lugar vibrante que só a escrevente conhece e habita. E os dias passam-se entre a luz da casa («gruta» ou «caverna de escrita») e as deambulações por essa Sintra imaginada a contrapelo da vila real. O que emerge é o fulgor que há nas coisas para além da superfície do mundo, fonte de muita música do futuro. [João Barrento]