Sobre o Futuro das Nossas Instituições Educativas
Sobre o Futuro das Nossas Instituições Educativas
Friedrich Nietzsche
tradução: Pedro A. Teixeira
Imprensa da Universidade de Lisboa, 2026
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A educação clássica de Friedrich Nietzsche é a pedra de toque destas cinco palestras proferidas no início de 1872, em Basileia. Nelas, o filósofo aborda os temas da educação, da cultura e do ensino revisitando a Antiguidade Clássica. É aí que funda as críticas aguçadas à instrumentalização economicista do ensino, à pressão para o aumento da eficiência do trabalho académico, e à tendência das ciências e humanidades do seu tempo para a sobre-especialização e consequente dispersão.
Recorrendo à reconstrução de uma conversa que teria mantido durante os tempos de estudante com um amigo, um filósofo e o seu discípulo, Nietzsche expõe uma variedade de posições sem se comprometer explicitamente. É-lhe assim permitido argumentar, por exemplo, contra a expansão do sistema educativo em número de instituições e alunos, e contra a influência crescente da literatura massificada e do jornalismo.
Proferidas no rescaldo da Guerra Franco-Prussiana (1870–1871) e em plena aceleração da unificação alemã, estas palestras deixam entrever o receio de Nietzsche de que a cultura e a educação viessem a subordinar-se aos interesses do Estado prussiano, conduzindo a uma nivelação cultural tendente à degeneração cultural.
«Qualquer educação que fomente a solidão, que estabeleça objetivos que vão para além do dinheiro e do ganho, ou que consuma demasiado tempo é odiada: costumam descartar-se essas outras tendências educativas como “egoísmo elevado”, como “imoral epicurismo educativo”. Segundo esta moralidade, exige-se simplesmente o contrário, isto é, não apenas uma educação acelerada para nos podermos tornar rapidamente um ser que ganha dinheiro, mas também uma educação muito exigente, para nos podermos tornar rapidamente um ser que ganha muito dinheiro. Só é permitido às pessoas o nível de cultura que serve a causa do dinheiro, mas ao mesmo tempo exige-se-lhes essa cultura. Em suma: a humanidade tem um direito essencial à felicidade terrena — e para isso a educação é essencial — mas apenas para isso!».
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