PROFUNDIDADE DE CAMPO / DEPTH OF FIELD
PROFUNDIDADE DE CAMPO / DEPTH OF FIELD
Mónica de Miranda
Apresentação: Cindy Sissokho, Igor Simões, João Laia , Nuno Crespo
Documenta, 2026
276 páginas a cores
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Mónica de Miranda: «O início do meu pensamento e as primeiras questões que surgiram passaram por considerar o corpo como uma casa, um lugar de reflexão sobre a relação com um corpo maior que é o corpo-natureza.»
Mónica de Miranda é uma artista, cineasta e investigadora portuguesa de origem angolana. Ecoando a sua condição pessoal, o trabalho que tem vindo a desenvolver aborda a relação entre Portugal e Angola ou, se se preferir, entre a Europa e África, mapeando como esta dinâmica secular se prolonga e persiste na nossa contemporaneidade.
Os trabalhos desta artista constituem propostas poéticas de releitura histórica dos impactos do período colonial mostrando a forma como as suas marcas e cicatrizes persistem nas nossas sociedades que teimam em não deixar desenvolver uma discussão profunda e reparadora.
Ao longo de duas décadas, Mónica de Miranda tem vindo a produzir um corpo de trabalho que cria espaços de complexidade histórica e arquitetónica através de uma abordagem interdisciplinar que inclui desenho, instalação, fotografia, filme, vídeo e som, nas suas formas expandidas e nas fronteiras entre a ficção e o documentário. Uma pesquisa artística que incluiu estratégias próximas da arqueologia urbana e de uma muito particular geografia afetiva.
Resultado de uma colaboração entre a Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa e a Galeria Municipal do Porto, a exposição Profundidade de Campo utiliza o vídeo, a performance e a instalação para propor um tempo simultaneamente ficcional e documental, entre o passado, o presente e o futuro, focado na presença atual do colonialismo e na urgência da adopção de modos de pensar, criar e viver verdadeiramente decoloniais.
Profundidade de Campo, enquanto expressão técnica vinda da fotografia e do cinema, corresponde à distância entre objetos num enquadramento visual. Quando manipulada através de processos de focagem ou perspetiva, a profundidade de campo pode tornar visível diversas temporalidades num mesmo plano. É a partir desta imagem que o projeto manifesta um encontro entre visões utópicas, a ecologia e momentos de cuidado e escuta, processos articulados nas ações, palavras e imagens apresentadas.
[João Laia e Nuno Crespo]
