Os poetas aqui reunidos, por diferentes que sejam entre si, têm em comum a bandeira da recusa. Evidente nos enigmas de Mallarmé, exposta dramaticamente na voz abafada dos russos da «geração que dissipou seus poetas», segundo a expressão de Jakobson, também está presente nas propostas radicais de Gertrude Stein e nas especulações mais ousadas do Yeats pós-Pound. E ainda nas abstrações imagístico-expressionistas de Wallace Stevens («How many poems he denied himself?») ou de Hart Crane, que se suicidaria em 1932, juntando-se ao rol dos grandes poetas russos, seus contemporâneos, Iessiênin e Maiakóvski, mortos pelas próprias mãos em 1925 e 1930, e à cuja trágica renúncia viria somar-se também a de Tzvietáieva, em 1941. O poema em que esta os homenageia — um diálogo imaginário pós-morte entre os seus coirmãos, literariamente antagônicos, mas unidos pela rebeldia poética e pelo mesmo trágico fim — emblematiza essa forma-limite de recusa.