O «Indígena» no Pensamento Colonial Português – 1895-1961
O «Indígena» no Pensamento Colonial Português – 1895-1961
Mário C. Moutinho
226 páginas
Edições Colibri, Novembro 2025
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O colonialismo é a violência e o desprezo total da pessoa humana fundamentados nas leis mais cruéis, e o Amílcar, muitas vezes, dizia que a luta nas colónias africanas sempre foi armada, acontecendo, porém, durante muito tempo, que só o inimigo dos nossos povos tinha acesso a armas modernas, servindo-se delas para afogar em sangue a resistência das nossas populações que, enquanto puderam, tudo fizeram para impedir a ocupação e o domínio efetivo das suas terras.
LUÍS CABRAL Fundador, Dirigente do PAIGC e 1.a Presidente da Rep. da Guiné-Bissau
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O início do combate africano para alcançar a independência pareceu reforçar a legitimidade do salazarismo, e uma ampla fração da opinião pública portuguesa dispôs-se a apoiar sem a menor reserva a tarefa colonialista que as novas condições do Continente africano impunham não só ao regime, mas sobretudo ao País. Só assim, de resto, se pode explicar que, durante 13 anos, os jovens portugueses tivessem fornecido as forças militares que se empenharam em reprimir, de maneira frequentemente feroz, os apetites de liberdade política manifestada pelos africanos. Esta reflexão que acabaram de ler não poderia ser compreendida sem a evocação desse quadro político e cultural.
ALFREDO MARGARIDO Escritor, investigador, professor universitário, poeta e pintor
