• Nhe’enga a More Quixotesco

Nhe’enga a More Quixotesco

17,00 €  
IVA incluído

Nhe’enga a More Quixotesco

Danilo Costa-Cobra Leite


Esta “novela” de D. da Costa-Cobra Leite joga o leitor, desde o título plurilíngue, num universo que só se pode definir como plural. Aliás, “definir” é palavra provavelmente inadequada para a experiência a que o texto convida, apostando na quebra de expectativas relacionadas com gêneros, registros e técnicas narrativas. Contando um episódio singelo, acontecido numa cidade posta na fronteira, mas cujos topônimos desenham um grande painel carnavalizado do Brasil, somos conduzidos por restos de fatos, sonhos, buscas e desconhecimentos que vão aos poucos conformando a trama. 

No fim e ao cabo, o que se encena é a desconstrução do próprio ato de narrar. Como explicita em determinado ponto a pergunta, que diz respeito a uma personagem, mas implica qualquer narrador – “O que há dentro dos narradores?”, – à qual sucede a resposta sem concessões: “Não há nada dentro de nós, um vazio ardente prestes a eclodir, o silêncio estrutural da língua. É o som de um farfalhar e roçar, como um pássaro da noite empoleirado sem que se veja seu corpo, no meio da escuridão.” 

Desse ponto de observação, “narrar” talvez ainda seja insuficiente para dar conta da sofisticação do autor, que não se constrange em explorar verso e prosa, épos e drama, fatos e delírios. Nhe’enga, primeiro termo que brilha na escuridão do título, em tupi antigo significa ‘falar’. Alcançamos uma definição? Talvez. 

Parece simples: a fala. Mas é do radicalmente simples que tira sua força a linguagem poética. 

Jacyntho Lins Brandão 

Kotter, Verão 2020

ISBN: 978-989-54566-2-8 (Portugal)

220 pág.

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