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  • Meu Irmão Feminino e «Noites Florentinas»

Meu Irmão Feminino e «Noites Florentinas»

12,00 €  
IVA incluído

de Marina Tsvietaieva

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes
Páginas:112
EAN:9789898833365
Sistema Solar, Novembro de 2020

«O meu leitor nascerá daqui a cem anos» — disse Tsvietaieva na década de trinta. Só errou em cinquenta.

Rejeitada pelos Russos, Tsvietaieva tentava penetrar no meio literário de Paris. Escrevia poemas em francês; traduzia-se para francês, escolhendo um dos seus longos poemas russos e chamando-lhe Le Gars; compunha duas prosas singulares: Meu Irmão Feminino e «Noites Florentinas» (nenhuma delas publicada durante o seu tempo de vida).

São prosas escritas entre 1932 e 1934, a primeira dirigida a Natalie Barney («a amazona» que transtornava cabeças de homens e mulheres pelos salões da cidade, pretexto para reflexões sobre a grande fatalidade do amor lésbico), inspirada a segunda pelo belo Abraham Vichniak (que lhe desencantava mais fatalidades, agora do amor heterossexual), ambas sob a forma epistolar, ambas dirigidas a interlocutores «ausentes».

Com um núcleo escrito originalmente em russo, o texto essencial de «Noites Florentinas» foi traduzido (melhor dizendo, recriado) em francês pela autora, segundo nos diz numa carta a Anna Teskova. Tsvietaieva fala do seu trabalho durante o Inverno de 1932-33 e destaca a tradução de nove cartas acrescentadas por outra, que lhes dá resposta, e ainda por um Posfácio ou A Face Póstuma das Coisas e o relato do último encontro com o destinatário cinco anos depois, na noite de passagem do ano. Diz também que de tudo isto resulta uma obra completa, redigida pela própria vida.

[Aníbal Fernandes]

«Marina Tsvietaieva toda a vida se defendeu da banalidade quotidiana, graças ao trabalho, e no dia em que isto lhe pareceu um luxo inadmissível, e teve temporariamente, por causa do filho, que sacrificar uma agradável paixão e lançar à sua roda um olhar sensato, descobriu o caos imóvel, insólito, entorpecido que a sua criação repelira e, afastando-se assustada e sem saber onde meter-se, cheia de horror, foi esconder-se apressadamente na morte, pousando a cabeça numa corda como se fosse uma almofada.»

[Boris Pasternak]

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