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  • Lisboa em 1870

Lisboa em 1870

15,00 €  
IVA incluído

GONZALO CALVO ASENSIO

trad. e notas de Jorge Pereirinha Pires
capa de pcd sobre foto da época; 136 págs.
subtítulo: Costumes, Literatura e Artes do Vizinho Reino
ISBN 978-989-8006-11-0
cód. barras 9 789898 006110

Adido à legação de Espanha em Lisboa, Calvo Asensio fez publicar em castelhano e em Madrid o seu testemunho quanto ao tempo e aos modos do povo anfitrião. Nunca tal obra mereceu a consideração dos editores nacionais, até ao aparecimento da nossa tradução, embora o texto seja uma referência para a história da Península Ibérica. Democrata – fez parte da direcção do partido democrático-progressista espanhol –, o seu olhar sobre alguns dos males lusitos ainda hoje não é por completo destituído de interesse. Uma passagem do texto, a título de exemplo:
«[...] Sem a completa separação da Igreja e do Estado não há liberdade possível, nem cultura, nem moralidade, nem sentimento religioso; é assim que, ali onde pesou a mão de ferro da teocracia por muito tempo; ali onde o catolicismo, com sua intransigência, exerceu durante séculos o seu devastador influxo, o seu absorvente e embrutecedor predomínio, [...] ali onde o saudável e democrático espírito da reforma não limpou o ambiente dos deletérios miasmas do absolutismo [...] a dureza de carácter, a animosidade para com toda a crença diversa, o costume da escravidão, o fanatismo infamante e a refinada hipocrisia ganharam raízes, e como que se introduziram até à medula dos ossos dos pobres povos que seu jugo sofreram, de tal modo se afundaram no seu ânimo prevenido e extraviado que o exercício da liberdade não logrará sarar a ferida aberta senão após um largo decurso de tempo, nem arreigar as práticas de tolerância, nem devolver a dignidade perdida da cancerada consciência. É por isso que Portugal não é completamente livre, porque não sacudiu por inteiro o jugo da Igreja, em matérias religiosas sente ainda a tradição pecaminosa dos períodos de D. João V e de D. Maria I, não havendo podido todavia limpar-se para sempre do seu original pecado nas puras águas do moderno Jordão: a democracia. [...]»

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