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Iluminuras

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de Théodore Fraenckel

ELEGIA

X. não compreendeu ainda como lhe resta pouco tempo de vida.
Outrora, os grandes lagos eram a esperança querida de um abrigo.
Da infância, o que nos resta é esta visão académica
quando, suave, no tom do quadro,
leve se sente o esboroar do espírito…
Contudo, a vida nem sempre é uma constante aventura.
Por vezes, a chuva deixa-nos ver um pouco mais longe
na curta distância de nós mesmos
e o que resta é uma curta fragância,
o perfume do espírito.
Sim, A. ainda não compreendeu como vai longe
o tempo da esperança e da ternura.
Antes, belos cromos em páginas finas
tinham o condão de por um milagre súbito
de equilíbrio,
da imaginação recobrir
o sonho (a loucura).
O tempo dos velhos amigos tinha, contudo, acabado há muito…
Daí, esta noção, que em nós ainda persiste,
de uma absinta angústia.
Que digo? Decerto X. ainda não percebeu, apesar da doença,
que a morte e a vida
não passam de uma quimera, xadrez –
abstractas ilusões de consistência nenhuma.
Por isso compreendo o gesto de A., mal se senta à mesa –
um copo de vinho bebe, olha em frente
e mais uma página folheia do livro, maculadíssimo.
(Ao entardecer, à tarde – Oh, o fugaz encanto dos gestos perdidos).

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