Divã Ocidental-Oriental
Divã Ocidental-Oriental
de J. W. von Goethe
tradução, introdução, glossário e notas: João Barrento
revisão: Margarida Ferreira e Mariana Pinto dos Santos
imagem na capa: Primeira página do manuscrito do Divan de Hafez Shirazi, preservado no Tesouro da Biblioteca Nacional e Museu de Malek, Teerão
design e paginação: Rui Miguel Ribeiro
Saguão #41, Janeiro de 2026
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O Divã Ocidental-Oriental de Goethe demarca--se claramente de toda a sua poesia anterior, na medida em que é a expressão de um encontro e de uma troca singulares: o encontro entre Ocidente e Oriente («Quem a si e outros conhece, /Aqui há-de constatar / Que Oriente e Ocidente / Não se podem separar»), e a troca de experiências e de uma sabedoria comum entre o poeta alemão (Goethe-Hatem) e o poeta persa (Hâfez), com a intenção de fazer (re-fazer?) uma poesia que, de forma nova e num registo muito particular, dá expressão aos grandes temas universais da existência humana: o amor nas suas múltiplas facetas, o prazer do vinho (e a interacção afectiva que propicia), a sageza acumulada por gerações subtilmente expressa no poema, a «nostalgia de bem-aventurança», ou simplesmente de mundos distantes, a vivência de uma espiritualidade fora da ortodoxia e interiorizada (como na tradição do sufismo oriental), mas também os males do mundo, o despotismo e as guerras, a hipocrisia e o egoísmo… E assim os doze Livros se vão estruturando com uma grande unidade numa imensa diversidade de temas e motivos.
João Barrento (excerto da introdução)
