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Delirium

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SKU: 9786559000708

Delirium
de Adília César

120 pp.
Urutau, 2021
9786559000708

Sob o signo de Artaud e Lispector, citados em epígrafe, Adília César oferece-nos um conjunto coerente de 85 poemas, reunidos em 17 secções, que inauguram uma poética da perda, criando uma circularidade à volta da imagem feroz que abre e fecha o volume para designar o eu a sangrar-me encostada à faca. Entre círculos de nada e exclamações do sentir, a voz poética desenha o percurso de uma aprendizagem onde se inscrevem algumas reminiscências infantis, as asas da melancolia, os fantasmas que amparam as quedas num lugar cercado por muralhas de palavras, mas aberto por vezes à semântica do desejo e aos fragmentos sentimentais que alternam com a descrição da catástrofe. A convulsão da linguagem traduz ainda a febre do desencontro amoroso quando o outro é conotado com o sono de marfim e o espaço se povoa de pirilampos apagados. Neste livro sedutor, o sujeito poético avança nas dobras da perda e convida-nos a celebrar o tempo, esse incinerador de todos os instantes, para exprimir o fino gume dos segredos que é também o ritmo do conhecimento e o voo possível do delírio como corpo do mundo.

Maria Graciete Besse, crítica literária

Algo está sempre a acontecer. Por isso escrevo. Escrevo porque algo aconteceu ou acontece. Cito estas palavras de Ana Hatherly pela cumplicidade que estabelecem com a poesia de Adília César.
Em Delirium, a autora prossegue o questionamento das suas obras anteriores, centrando-se no valor fulcral do silêncio, que amplia a sua liberdade para Descrever a amplitude de um silêncio, de dentro para fora e do preenchido para o vazio.
Mas O poema não é um sonho ou uma metáfora/ é um galope pela boca adentro. É como se, sob a pele das palavras do poema, corresse uma narrativa sempre inacabada “Uma, duas, três palavras… como se fossem coleiras vazias de cães.
Sempre o silêncio, uma das armas desta escrita, a interrogação suspensa que atravessa o texto em que “Entrar é lembrar e sair é esquecer”. A ousadia e amplitude desta poesia confere a Adília César sem sombra de dúvida um lugar singular na poesia portuguesa.
Já não há longe nem distância, apenas/ reconheço as nossas cabeças pensantes/ à solta no firmamento. Ou, como a mesma diz em artigo recente (Lógos, 06.03.2021) Não há poesia sem dúvidas, sem questionamento e sem as divergentes linhas de resposta, mas alguém há-de sobreviver (..) entre abismos, quedas e cadeirões de veludo.

Armandina Maia, Associação Portuguesa de Críticos Literários