Portes grátis para Portugal (excepto envios à cobrança)
  • Canoagem

Canoagem

15,00 €  
IVA incluído

CANOAGEM
Joaquim Manuel Magalhães

80 pp.
Relógio d'Água, 2021

-

(...)

«Conhece o Pasolini?» «Um dancing na travessa
para que gira o elétrico? Olhe que é caro.»
Boys deliberam -lhe uma tática desabrida.
O brinco nítido na orelha direita
não autorizava a fretar fivela ou cartilha.
Onde aguçaria essa crina opressiva?
Latente o recluso afogava -se no seu sectário
hectare, por um enguiço não saboreia o ferimento.

*

Sucedia -se por sortilégio, zinabre, dourado.
Um creme bífido para o nevo, uma borbulha
na manhã seguinte, o pêlo hirto e contuso.
Uma rima inserida num processo delongado.
A duração ultima -se, cogitam no seu sobressalto.

Em rotação, do cerebelo ao mindinho, a rodela
galga a trave da montra cambaia, do furúnculo na alça.
Enrodilhou-se em problema, plaina no meu cupão
o fulcro do conferido. A penetração por correio
não apazigua a sobrancelha de um solitário.

Em Coimbra, caloiro, um grupo ordinário de batina,
um atravanco de javardos a encurralar -me
para uma república. Atrás um berro,
«quartanista de ciências, é protegido por mim».
Amolgou-se a caterva. Um confrade, como ele me gralhou,
num colete de bombazina carmesim e de crisântemo.
Na meteorologia o Mondego em linha reta, inundado.
Na portaria do seu hotel barato um enfado
em que se debatiam retalhos em renúncia,
inocula-os ao ajuntamento de primavera.
Ressequia o seu roupão em túnica, bombeava o dialeto da cripta,
amortizava a generosa cartilagem. Encolhia-se
cálido o ocaso. Aleatório não,
não sei, raiano, mitigado, inconsequente.

×