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Assim – Leonardo Fróes

(apresentação de Júlia de Carvalho Hansen/ fotografias de capa de Marta Bernardes/ composição de Joana Pires)

Leonardo Fróes (Itaperuna RJ, 1941), poeta, tradutor, ensaísta e jornalista, foi para o Rio aos 9 anos, quando sua família se mudou para a capital. Em 1952, ingressou no Colégio Pedro II Internato, cujo currículo determinava na época o estudo de seis línguas estrangeiras: latim, francês, inglês, espanhol, alemão e grego. Aos 18 anos, começou a trabalhar em jornais cariocas (Diário de Notícias e Hoje), passando logo depois para a editora Delta. Aos 20, após ingressar na Escola Nacional de Belas Artes, foi como imigrante para os EUA e trabalhou por dois anos, em Nova York, na editora Appleton Century Crofts. De lá seguiu para a Europa. Morou dois anos em Paris e outros dois em Berlim, onde fez curso no Goethe Institut, a fim de aperfeiçoar o alemão. De volta ao Rio, foi editor-chefe da Editorial Bruguera até 1971, quando se radicou em Petrópolis RJ, passando a viver só como tradutor e colaborador em jornais. Por mais de dez anos, manteve duas colunas, “Natureza”, no Jornal do Brasil, e “Verde”, no Jornal da Tarde de São Paulo, sobre plantas e noções de ecologia. Durante as décadas de 1970 e 1980, trabalhou sobretudo para enciclopédias, traduzindo do francês para a Delta-Larousse e do inglês e do espanhol para a Encyclopaedia Britannica. Para a Mirador Internacional e a Barsa, redigiu verbetes. Por mais de 40 anos, fez crítica literária, em artigos e resenhas para o Jornal do Brasil, O Globo, a Folha e O Estado de S. Paulo. Em meados da década de 1980, voltou por três anos à imprensa diária, sendo redator do Jornal do Brasil e depois de O Globo. Trabalhou em seguida na Fundação Nacional de Arte, onde foi assessor de imprensa, preparador de textos e subeditor da revista Piracema. Desde a década de 1990, finda a era das enciclopédias impressas, deu-se mais continuamente à tradução de livros. Traduziu, entre muitos outros, autores como Virginia Woolf, Faulkner, Swift, Goethe, Shelley, George Eliot, J.M.G. Le Clézio, La Fontaine. A partir de 2000, trabalhou no setor de publicações da Fundação Biblioteca Nacional, pela qual se aposentou em 2010, chegando aos 70 anos, e em cujas revistas, Revista do Livro, Anais e Poesia Sempre, publicou ensaios, artigos e traduções de poemas. Recebeu o prêmio Jabuti de poesia, em 1996, e os prêmios de tradução da Biblioteca Nacional, em 1998, da Academia Brasileira de Letras, em 2008, e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, em 2016. Em 2016 recebeu também o prêmio Alceu Amoroso Lima – Poesia e Liberdade. Ao longo dos anos, a convite, fez palestras em várias universidades, como UFRJ, UERJ, UFF, UFSC, e em instituições que operam no Rio, como CCBB, Instituto Estação das Letras, Casa do Saber e Academia Brasileira de Letras. Trabalhos recentes de sua autoria têm saído em publicações como Serrote, Quatro Cinco Um, Suplemento Literário de Minas Gerais e Revista Brasileira, da A.B.L.

Cabeça Desfeita

se eu realmente soltar minha cabeça vai dar um bode medonho
minha cabeça antes de tudo não é cabeça nem minha
ela não passa de uma jarra vazia e eu que a carrego sou tudo
sou muito mais e muito menos porque a loucura do corpo
tanto se retrai comedida como se expande indefinidamente

minha cabeça o que carrega são colírios relâmpagos
pisadas bruscas na visão do instante comícios
domésticos insinuações de procura
mas nada disso a consegue preencher finalmente
e ela escorrega
em qualquer circunstância debruçada no cabide dos dias

se eu soltar a cabeça
a jarra quebra. Que fazer com seus flocos
azuis? Que milímetro exato antecipar ao passar
com uma flor nos ombros?

no intervalo que me separa de mim
quando eu me desmonto na lua
essa cabeça que no máximo eu sigo
diz que eu preciso me tornar seu amigo
para refreá-la

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